O Método Científico
 

" Fatos são os dados do mundo. Teorias são estruturas de idéias que explicam e interpretam os fatos." - Stephen Jay Gould

Método científico é uma forma de investigação da natureza.  Para isso, não leva em consideração superstições ou sentimentos religiosos, mas a lógica e a observação sistemática dos fenômenos estudados.

Os cientistas criam, então, um conjunto de teorias baseadas nesses estudos e observações, e essas teorias são sujeitadas a uma seleção natural, até que se chegue a uma explicação satisfatória para os fatos observados. Essa teoria deve ser consistente com os fatos. Deve poder prever que, em condições e situações idênticas, os resultados esperados devem se repetir. Qualquer pessoa, tendo acesso aos experimentos, deve poder obter os mesmos resultados independentemente. 

Teorias baseadas em misticismo, que subsistem através de dogmas de fé, crivadas de superstições, não podem fornecer resultados nem aplicações. É o caso de toda Teoria Criacionista, onde um ser sobrenatural criou o Universo e a vida. Em contrapartida, temos duas teorias científicas: O Big Bang, a teoria mais aceita no meio científico para explicar o surgimento do Universo; e a Teoria da Evolução, que nos convida a entender como, através de passos simples e bem compreendidos, a vida surgiu na Terra há mais de 3,5 bilhões de anos e vem evoluindo através da seleção natural cumulativa. (...)

Os métodos científicos são impessoais e objetivos. Explicações metafísica são subjetivas, baseadas em experiências pessoais e em paixões.

Um cientista não deve assumir saber a verdade sobre o que tenta explicar a priori. Quem assume que já possui a verdade sobre alguma coisa antes de investigar, tem seu poder de avaliação dos fatos comprometido com idéias pré-estabelecidas, o que acaba prejudicando seu julgamento. Preconceitos nunca são bem vindos quando se busca explicações científicas.

Quando estão ainda em desenvolvimento, teorias científicas não passam muitas vezes de palpites. As informações são geralmente limitadas e escassas. Mas com o passar do tempo, através de testes de cada hipótese, reformulações e analises, a teoria vai tomando forma, até que seja confirmada. Então, a teoria leva a uma concordância com as experiências, pode ser repetida por outros, e pode fazer predições úteis. Se não se demonstrar verdadeira, o cientista não deve se apegar a sua teoria.

Diferentemente do que querem os que atacam os métodos científicos, teorias científicas não são meros palpites ou especulações.  Como analisamos no caso da Teoria da Evolução, uma teoria deve se prestar a explicar as observações e deve poder fazer predições, tendo como conseqüência de sua legitimidade a sua aplicação e aceitação.

Francisco Saiz é professor de lógica e programação da Fundação Paula Souza, formado em Ciência da Computação pela Universidade Mackenzie, e aluno de mestrado em Inteligência Artificial no Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares da USP - Universidade de São Paulo


O Método Científico é indispensável à aquisição de Conhecimento Científico.

 

Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam estes métodos são ciências. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é de alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos.
(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.39)


Charles Darwin

O método científico é a teoria da investigação. Esta alcança seus objetivos, de forma científica, quando cumpre ou se propõe a cumprir as seguintes etapas:

a) descobrimento do problema ou lacuna num conjunto de conhecimentos. Se o problema não estiver enunciado com clareza, passa-se à etapa seguinte; se o estiver, passa-se à subseqüente;

b) colocação precisa do problema, ou ainda a recolocação de um velho problema, à luz de novos conhecimentos (empíricos ou teóricos, substantivos ou metodológicos);

c) procura de conhecimentos ou instrumentos relevantes ao problema (por exemplo, dados empíricos, teorias, aparelhos de mediação, técnicas de cálculo ou de mediação). Ou seja, exame do conhecido para tentar resolver o problema;

d) tentativa de solução do problema com auxílio dos meios identificados. Se a tentativa resultar inútil, passa-se para a etapa seguinte; em caso contrário, à subseqüente;

e) invenção de novas idéias (hipóteses, teorias ou técnicas) ou produção de novos dados empíricos que prometam resolver o problema;

f) obtenção de uma solução (exata ou aproximada) do problema com auxílio do instrumental conceitual ou empírico disponível;

g) investigação das conseqüências da solução obtida. Em se tratando de uma teoria, é a busca de prognósticos que possam ser feitos com seu auxílio. Em se tratando de novos dados, é o exame das conseqüências que possam ter para as teorias relevantes;

h) prova (comprovação) da solução: confronto da solução com a totalidade das teorias e da informação empírica pertinente. Se o resultado é satisfatório, a pesquisa é dada como concluída, até novo aviso. Do contrário, passa-se para a etapa seguinte;

i) correção das hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução incorreta. Esse é, naturalmente, o começo da um novo ciclo de investigação" (Bunge, 1980:25).

(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.46)

 

 


MÉTODO INDUTIVO

Indução é um processo mental por intermédio do qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas. Portanto, o objetivo dos argumentos é levar a conclusões cujo conteúdo é muito mais amplo do que o das premissas nas quais se basearam.

Exemplo:

O corvo 1 é negro
O corvo 2 é negro
O corvo 3 é negro
O corvo "n" é negro
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(todo) corvo é negro

(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.47)


MÉTODO DEDUTIVO

A dedução é o processo mental contrário à indução. Através da indução, não produzimos conhecimentos novos, porém explicitamos conhecimentos que antes estavam implícitos.

O seguinte exemplo mostra a diferença entre os métodos indutivo e dedutivo:

Dedutivo:

Todo mamífero tem um coração.
Ora, todos os cães são mamíferos.
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Logo, todos os cães têm um coração.

 

Indutivo:

Todos os cães que foram observados tinham um coração.
----------------------------------------------
Logo, todos os cães têm um coração.


MÉTODO HIPOTÉTICO-DEDUTIVO

A Posição de Popper Perante a Indução e o Método Científico "O avanço da ciência não se deve ao fato de se acumularem ao longo do tempo mais e mais experiências". "Ele avança, antes, rumo a um objetivo remoto e, no entanto, atingível, o de sempre descobrir problemas novos, mais profundos e mais gerais e de sujeitar suas respostas, sempre a testes provisórios, a testes sempre renovados e sempre mais rigorosos" (1975a:307-308).
(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.65)

Bunge (1974a:70-2), indica as seguintes etapas:

a) Colocação do problema:

  • reconhecimento dos fatos - exame, classificação preliminar e seleção dos fatos que, com maior probabilidade, são relevantes no que respeita a algum aspecto;
  • descoberta do problema - encontro de lacunas ou incoerências no saber existente;
  • formulação do problema - colocação de uma questão que tenha alguma probabilidade de ser correta; em outras palavras, redução do problema ao núcleo significativo, com probabilidades de ser solucionado e de apresentar-se frutífera, com o auxílio do conhecimento disponível.

b) Construção de um modelo teórico:

  • seleção dos fatores pertinentes - invenção de suposições plausíveis que se relacionem a variáveis supostamente pertinentes;
  • invenção das hipóteses centrais e das suposições auxiliares - proposta de um conjunto de suposições que sejam concernentes a supostos nexos entre as variáveis (por exemplo, enunciado de leis que se espera possam amoldar-se aos fatos ou fenômenos observados).

c) Dedução de conseqüências particulares:

  • procura de suportes racionais - dedução de conseqüências particulares que, no mesmo campo, ou campos contíguos, possam ter sido verificadas;
  • procura de suportes empíricos - tendo em vista as verificações disponíveis ou concebíveis, elaboração de predições ou retrodições, tendo por base o modelo teórico e dados empíricos.

d) Teste das hipóteses:

  • esboço da prova - planejamento dos meios para pôr à prova as predições e retrodições; determinação tanto das observações, mediações, experimentos quanto das demais operações instrumentais;
  • execução da prova - realização das operações planejadas e nova coleta de dados;
  • elaboração dos dados - procedimentos de classificação, análise, redução e outros, referentes aos dados empíricos coletivos; · inferência da conclusão - à luz do modelo teórico, interpretação dos dados já elaborados.

e) Adição ou introdução das conclusões na teoria:

  • comparação das conclusões com as predições e retrodições - contraste dos resultados da prova com as conseqüências deduzidas do modelo teórico, precisando o grau em que este pode, agora, ser considerado confirmado ou não (inferência provável);
  • reajuste do modelo - caso necessário, eventual correção ou reajuste do modelo;
  • sugestões para trabalhos posteriores - caso o modelo não tenha sido confirmado, procura dos erros ou na teoria ou nos procedimentos empíricos; caso contrário - conformação -, exame de possíveis extensões ou desdobramentos, inclusive em outras áreas do saber.

(Lakatos, Eva M. e Marconi, Marina A., "Metodologia Científica", Editora Atlas S.A., São Paulo SP. 1991, p.70)

 

O Método Científico é indispensável à aquisição de Conhecimento Científico.