Fé e Educação
 

Fé, sendo crença que não é baseada em evidência, é o principal vício de qualquer religião. E quem, olhando para a Irlanda do Norte ou o Oriente Médio, pode estar convicto que o 'vírus' da fé não é extremamente perigoso? Uma das histórias contadas aos jovens suicidas-bomba Muçulmanos é que o martírio é o caminho mais rápido para o paraíso - e não apenas o paraíso mas uma parte especial do paraíso onde eles irão receber sua recompensa especial de 72 noivas virgens.
A ciência é atualmente uma das mais morais, uma das mais honestas disciplinas que existem. Entretanto, existem outras profissões (não se precisa mencionar advogados especificamente) na qual falsificar evidências ou pelo menos deformá-las é precisamente para o que pessoas são pagas e ganham pontos por fazer isso. A ciência, então, está livre do principal vício da religião, que é a fé. Mas, como eu disse, a ciência têm algumas das virtudes das religiões. A religião pode aspirar prover a seus seguidores vários benefícios - entre eles explicação, consolação, e levantar o astral. A ciência, também, têm algo a oferecer nestas áreas.

Os humanos têm uma grande sede por explicação. Isso pode ser uma das razões principais do porquê a humanidade têm tão universalmente uma religião, desde que as religiões aspirem prover explicações. Nós viemos à nossa consciência individual em um universo misterioso e longo para se entender. A maioria das religiões oferece uma cosmologia e uma biologia, uma teoria da vida, uma teoria das origens, e as razões para a existência. Ao fazer isso, elas demonstram que a religião é, de uma certa maneira, ciência; mas apenas uma ciência ruim. Não caia no argumento que a religião e a ciência operam em dimensões separadas e que estão preocupadas com questões de tipos diferentes. As religiões têm historicamente sempre tentado responder perguntas que corretamente pertencem à ciência. Desta maneira as religiões não devem ter permissão agora para se retirar do chão onde elas tradicionalmente vem tentando lutar. Elas oferecem tanto uma cosmologia quanto uma biologia, entretanto, em ambos os casos ela é falsa.

Pode-se argumentar que, se a idéia de uma vida pós-morte é uma ilusão (como eu acredito que é), a consolação que isso oferece é vazia. Mas não é necessariamente assim, uma crença falsa pode ser tão confortante quanto uma verdadeira, contanto que o crente nunca descubra sua falsidade. Mas se as consolações vêm assim tão barato, a ciência pode pesar com outros paliativos baratos, tais como drogas analgésicas. Conforto pode ou não ser ilusório, mas ele funciona.
Eu sinto muito pelo modo como as crianças são criadas. Eu não sou inteiramente familiar com o jeito que as coisas são nos Estados Unidos, e o que eu digo deve ter mais relevância no Reino Unido, onde há instrução religiosa para todas as crianças obrigada pelo estado, legalmente forçada. Também seria interessante ensinar mais do que uma teoria de criação. A dominante nessa cultura ocorre sendo o mito de criação Judaico, que é tomado sobre o mito de criação Babilônico. Existem, claro, muitos e muitos outros, e talvez a eles todos devesse ser dado tempo igual (salvo que isso não deixaria muito tempo para estudar qualquer outra coisa). Eu entendo que existem Hindus que acreditam que o mundo foi criado em uma vasilha de manteiga cósmica e Nigerianos que acreditam que o mundo foi criado por Deus do excremento de formigas. Com certeza essas histórias têm tanto direito à tempo igual quanto os mitos Judeo-Cristãos de Adão e Eva.
Quando as classes de educação religiosa se viram para a ética, eu não acho que a ciência realmente têm muito à dizer, e eu não a substituiria com uma filosofia moral racional. As crianças realmente pensam que há um padrão absoluto para certo e errado? E se existe, de onde ele vem? Essas são perguntas recompensadoras, qualquer que seja a sua moralidade pessoal.

(Richard Dawkins)