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"Pascal
mostrou que nenhum quantidade finita de provas jamais constituiria
uma demostração suficiente de uma verdade a respeito da
natureza, embora apenas um experimento crucial fosse capaz de refutar
a teoria, caso se mostrasse existir uma dedução lógica
a partir da teoria, dedução esta contrária ao fato.
O máximo que se poderia fazer era encontrar a hipótese que
melhor se aplicasse aos fatos conhecidos num dado estágio da história
do mundo." ...
"Pascal ensina
a fazer o melhor que se possa à luz do procedimento humano, seguindo
um método limitado ao invés de um método geométrico
ideal. Os termos devem ser definidos até que os mais claros possíveis
tenham sido encontrados. Os princípios que são mais indubitáveis,
consoante nossas crenças naturais, devem ser usados como ponto
de partida. A partir daí, deve-se proceder cuidadosa e metodicamente
e extrair as conclusões daquelas definições e princípios,
percebendo o valor de verdade condicional daquilo que é
assim demonstrado, já que sua certeza depende das capacidades
e habilidades naturais do homem." ...
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"Spinoza,
em seu trabalho Tractatus Theologico-Politicus, provavelmente rascunhado
em 1656/57, como uma resposta à sua expulsão, desafiava
completamente a visão judaico-cristã do mundo. Spinoza
desafiou a autoridade do Pentateuco por Moisés, a historicidade
da bíblia, a possibilidade de existir milagres e assim por diante.
De fato, Tractatus é quase uma inversão completa
do argunmento apologético de Pascal no Pensées. Iniciando
no Tractatus e tendo depois desenvolvido na Ética,
Spinoza compôs uma concepção racionalista abrangente
do mundo, no qual tudo, inclusive ou especialmente a visão judaico-cristã
de mundo, pode ser entendido em termos de uma ciência mecanicisma
e determinista. Spinoza elaborou uma metafísica na qual o judeu-cristianismo
era somente um grande exemplo na história da estupidez humana a
ser entendido, em termos de uma psicologia mecanicista, como um tipo de
superstição devido ao medo. A nova ciência, para
Spinoza, era uma forma de ver todo o mundo sub specie aeternitatis.
Isto, entretanto, não tinha de ser conciliado ou harmonizado com
a religião. Na verdade, a religião deveria ser por ela
entendida e rejeitada como imagem séria do mundo. O critério
racional da matemática deveria ser aplicado à religião
e, então, seria observado que havia com mais certeza na ciência
e na matemática do que na bíblia, e que a religião
foi somente o resultado da natureza supersticiosa do homem que impediu
a verdadeira e adequada compreensão do mundo. Portanto, Spinoza
ofereceu uma base ontológica para uma guerra real entre ciência
e teologia, mostrando a forma pela qual os dados religiosos poderiam
ser examinado e julgados cientificamente." ...
"Questionava
como uma pessoa poderia certificar-se do que exatamente diziam as Escrituras.
Possuimos dela uma cópia fiél? Podemos, nos dias atuais,
dizer o o que as palavras gregas e hebraicas realmente significavam nos
tempos antigos? E, até mesmo, se os mais remotos textos conhecidos
em grego e hebraico eram realmente a Palavra de Deus ou apenas a versão
humana do que Deus disse?"...
"Segundo
Padre Richard Simon (o maior estudioso da bíblia do século
XVII), a bíblia, tal como a conhecemos, é uma compilação
de trabalhos de escribas públicos de cerca de 800 a.C em diante,
e que o texto que conhecemos é baseado em cópias de cópias,
contendo todo o tipo de variante." ...
"O texto
do Novo Testamento, argumentava Simon, encontra-se em estado ainda pior,
já que Jesus mandou os Apóstolos irem e divulgarem a doutrina,
e não sentar e escrevê-la. Por isso, o texto só
foi escrito décadas mais tarde, numa linguagem diferente daquela
falada por Jesus e seus Apóstolos. Este texto foi copiado e
recopiado várias vezes e topo tipo de erros e variantes foi inserido."
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